Porque lembrar é preciso...

Porque lembrar é preciso...
"Partire è un pó morire", dice l’adagio, ma è meglio partire che morire, aggiunge Carrara. ("Partir é morrer um pouco", diz o adágio, mas é melhor partir do que morrer, retruca Carrara.)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Família Passoni e as desventuras no vapor Poitou (texto de Francisco Braido)


Embarcados em Gênova, meus antepassados Antonio, Pasquale e Paolo Passoni chegaram ao Brasil em 20 de fevereiro de 1888. Provenientes dos arredores de Milano, a composição familiar desembarcou em Santos com 24 membros, depois de uma viagem de cerca de 20 dias no vapor Poitou.
Com certeza, todos sonhavam com uma “Mérica” linda e cheia de oportunidades. Mal sabiam que as dificuldades estavam apenas começando e a primeira delas foi a viagem na “aconchegante e luxuosa” embarcação. Quem descreveu o percurso sobre o mesmo vapor francês foi um integrante da família Pozzebon.
Transcrevo um fragmento do texto: “Os passageiros engoliam os maus tratos e calavam. O alimento insuficiente e mal conservado era mais do que repugnante: aquele pó de café abominável, a água turva. A carne (à época, não existiam frigoríficos) em grande parte deteriorada e fedorenta. A água intragável era conservada num caixão de chumbo, de modo que estava impregnada com aquele metal e não se a tomava a copos, mas com canudinhos de chumbo. Coisa nauseabunda! Desse modo, a maioria, para não sugar as imundícies existentes no recipiente, colocava o lenço para servir de filtro. Se não fosse verdade, pareceria impossível. Muita sede sofria os inúmeros emigrantes por se recusarem a sorver aquele caldo asqueroso”.
O grupo de 24 pessoas da família Passoni certamente esteve nessa difícil situação. E tudo acrescido da incerteza sobre o futuro na nova terra e da saudade dos que deixavam. Mas desistência não fazia parte do vocabulário daqueles imigrantes fortes e trabalhadores...

12 comentários:

  1. Lindo texto esse, do italiano Pozzebon ! Sou bisneta de italianos, famiglia GIAVARA, estive em Cenova no final do ano passado (2010), e me emocionei ao visitar o Porto, a cidade ! afinal, "sangue nao é agua !" Por coincidência, meus antepassados desembarcaram no Porto de Santos em 21 de Setembro de 1888.

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  2. Sou de Salto, interior de SP, aqui a família Passoni é bem grande, fiquei muito feliz ao encontrar esse texto, vou divulgar para família toda.

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  3. ANONIMO 03 março,2012. tambem descendo dos PASSONI DE CAXIAS DO SUL.So nao sei o nome do meu bisavô que casou com Virginia Costamilan em Forqueta (CAXIAS) Gente brava e trabalhadora,merecem nossa homenagem porque fundaram as bases de nosso País.

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  4. Parte de meus antepassados viajaram no mesmo navio, na mesma viagem, que os seus. Pietro Boschiero e sua família tb chegaram ao porto de Santos no dia 20/02/1888. Achei seu blog numa busca no google pelo nome do Vapor Poitou + data. Interessante coincidencia :)

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    1. Meus antepassados também vieram nesse navio. Estou procurando a lista de bordo, mas até agora não encontrei nada. Vocês tem essa lista ?

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  5. Meus antepassados também vieram nesse navio. Estou procurando a lista de bordo, mas até agora não encontrei nada. Vocês tem essa lista ?

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  6. Também somos desta família... Minha avó é uma Passoni e ainda está viva e também
    Suas duas irmãs: Dulcelina, Adélia e Maria Passoni.
    Temos parentes com o mesmo sobrenome que moram em São João da Boa Vista e Campinas, que conhecemos e temos contato.
    Bom saber! São pessoas que têm um grande histórico na bagagem.
    Minha avó mora em Munhoz, MG, uma pequena cidade do sul de minas, moravam
    Em São Roque da Fartura quando criança e depois se mudaram para Ipuiuna e seguiram
    Para Munhoz. Minha tia Maria Passoni de casou com um Zanetti... Minha avó se casou com um descendente de espanhol ...
    Muito legal seu blog!
    Parabéns!

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    1. Jessica, por favor, me passe um e-mail seu... abraço, Delma

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    2. Também sou um Passoni, bisneto de Vicente Passoni e Rosa e neto de Paschoal Passoni. Minha mãe é Clarisse Passoni. Residimos em Campinas e a Jéssica Gimenez da mensagem anterior é minha prima.
      Encontrei esse blog e fiquei muito feliz por resgatar um pouco da história da família. Parabéns pelo belo trabalho.

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    3. jesica, boa tarde! meus avós eram de MG Muriae, estou em busca de informaçoes sobre a familia passioni(avô) ou galioti(avó). obs: o sobrenome da familia perdeu o I no decorrer das gerações, passando a ser Passon. qualquer informação me contacte por favor. Thiago Florentino Moreira 21 99158-7830

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  7. José Eustáquio Bortoneterça-feira, agosto 23, 2016

    Esses relatos dessas terríveis viagens servem para mostrar a coragem de nossos ancestrais e o sofrimento que tiveram tanto na vinda quanto após chegada no Brasil. Viagem de 3ª classe não era tão suave como é mostrado no filme TITANIC: era quase uma repetição dos navios negreiros vindo da África.

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  8. MARIA JOANA TONON, 24.10.2016 - Meus bisavós, ABELE FORTI e CONSTANZA ZANIN eram de Follina (Treviso - Veneto)e chegaram ao Brasil em 09.07.1888. Com este mesmo navio... A familia se instalou na área rural de São Manuel (SP) para cultivar café. Trouxeram da Itália, o gosto pela fabricação do vinho prosecco.

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